Segunda-feira, Novembro 02, 2009

A vida é feita de pequenos nadas, diz o Sérgio Godinho

E geralmente também não damos nada por eles. Vêm tão disfarçados na rotina que mal prestamos atenção às suas formas. Excepto, talvez, quando engolimos a rotina e vamos de férias. Foi por isso que tropecei neste pequeno nada: uma embalagem de Trident, comprada na Escócia, que acrescentava à morada da empresa: “Please write us if you’re feeling lonely”. Nessa mesma viagem pela terra dos kilts, assoei-me a uns lenços Renova que tinham a seguinte mensagem no pacotinho: “Made with smiles in EU”. Assim dá gosto ser (um tudo ou nada) ranhosa. :D

Terça-feira, Setembro 01, 2009

A vida real

Ontem à noite, numa respeitada pastelaria de Benfica, um senhor embriagado defendia o título de “o último comunista em Portugal” (o Avante provará o contrário), lançando para o ar impropérios de nível 10 – só porque sim. Eis que entra um jovem bem-parecido e arrumadinho, para perguntar qualquer coisa ao empregado, e grita-lhe o camarada: “Ó, tu aí, não dás uma queca há duas semanas”. :D

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Pouca Terra-a-terra

Não consegue decidir se o melhor momento da sua mais recente viagem de comboio foi:

a) O barbudo com pinta de intelectual de esquerda que pôs a tocar, a partir do seu portátil, bossanova (daquela xoninhas) para a malta da carruagem. Um bem-haja pela depressão colectiva.
b) A jovem que mascava pastilha elástica com a boca aberta – tão aberta que chegava a ser pornográfico.
c) A pequena “chuckie” de 2 anos, autora d’A Birra do Século. Não bastava ter gritado e esperneado com a mãe, sentada no chão da carruagem. Quando recuperou forças, depois de ter estado no meu colo a ler um livro, a pequena roubou-me uma caneta, com a qual riscou a contracapa do meu livro e, quando lhe disseram “já chega”, ainda rasgou uma revista, só para mostrar quem manda. :D

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Boas ideias para espairecer

"Vamos ser bonzinhos" OU "vamos ser multiculturais" .

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Nós no coração

Vai, não vai; ama, não ama; partilha, não partilha; o rato, o gato e a ratoeira. É o mais poético que consigo quando o coração anda aos nós. Por enquanto, sei o que não quero: nem meias-verdades, nem meios-amores, nem promessas fajutas. Fui às nuvens e, agora que desci à terra, reencarnei na forma de um vulcão temperamental que reage quando lhe perscrutam a cratera. Se isto fosse nos tempos da censura, poderia muito bem estar a falar de sexo, mas aqui o prazer é mesmo o do amor ao natural, tipo iogurte com bifidus activo que faz bem ao organismo.

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Baba de caracol

À venda no balcão de uma parafarmácia, vários boiões de Baba de Caracol para a pele. Porque a baba de caracol tem retinol, um anti-envelhecimento, explicou a farmacêutica. Eu própria já usei escama de dragão como exfoliante e nunca mais quis outra coisa.

Terça-feira, Julho 21, 2009

Like and Dislike, género Time Out

Adoramos: Dar por nós no meio de uma fila de carros que se dirige para um casamento e sermos os únicos maltrapilhos no meio de gente fina, aproveitando a abébia socialmente aceite de buzinar alegremente pela estrada fora, acordando os bebés na sesta e os homens muito pastelões que se refastelam no sofá a seguir ao almoço.

Odiamos: Homens que nos abordam de forma… como é que se diz… badalhoca ou descarada. Exemplo de piropo endereçado a uma jovem num bar de Edimburgo: “Can I stick my finger up your p*ssy?”. A classe! Também houve um jovem que, durante o refrão do “Summer of 69” do Bryan Adams – “oh when you held my hand, I knew that it was now or never” – espetou a sua manápula à minha frente e, vendo que não tinha resposta, gritou “hold my f*cking hand”. A delicadeza. Outro ainda: um rapaz (com 32 anos já teria idade para ter juízo), meteu conversa no Facebook (!) dizendo, no espaço de 5 minutos, que eu era a mulher da vida dele e que a avó dele era médium, por isso ele sabia dessas coisas. Felizmente, a minha fé na humanidade foi recuperada quando, algumas semanas depois, o mesmo rapaz voltou a meter conversa, dizendo “Olá, quem és tu? Porque é que me adicionaste?”. A lata, senhores – para não dizer, a amnésia! O que é feito dos homens à antigamente? Ah, ficaram todos a andar a cavalo e a dizer coisas muito nobres nos livros da Jane Austen.

Agora é a sua vez: partilhe aqui os seus gostos e desgostos! :)

A transformação

Algo me dizia que a minha sorte estava a mudar - começando pelo facto de ter reservado um carro de gama baixa para ir até ao Porto, e chegar-me às mãos um Mégane novinho em folha. Oh diacho, disse o meu grilo falante, acostumado ao desconforto de meu Twingo, enquanto a minha pessoa se digladiava com aquilo que pode ser considerado um verdadeiro veículo de seis velocidades e cartão a servir de ignição (que isso das chaves é uma chatice, nomeadamente nos detectores de metais dos aeroportos).

O encontro imediato com o camião dos "Transportes Presunção" na A1 Norte confirmou que vivíamos tempos de mudança, por isso decidi mergulhar no desconhecido: ouvi a Rádio Festival [destaco a recuperação de ‘Chamava-se Nini’], estive vai-não-vai para espreitar a Danceteria “O Outro Lado” e comi uma francesinha ao pequeno-almoço.

Chegada ao Porto, sou instalada no quarto 1313, no piso – adivinhe-se! – 13. A vida sorria, o sol brilhava e os óculos de sol continuavam na óptica (primeiro foi a armação que partiu, depois o novo óculo extraviou-se nos correios, depois foi a lente que se partiu ao colocar nas novas armações e, finalmente, os óculos “novos” tinham uma lente verde e outra castanha). Mas os grandes amigos estavam lá e a música animava todo o meu ser. Tanto que, mesmo com 2 horas de sono, pedalei até à lua como o E.T. no Bike Tour Porto.

É isso, Ana. Tudo se está a resolver. Agora dorme o sono dos justos, que a tua alma está em paz, sussurrava a vozinha do canal myzen Tv.

E eis que, naquela linda manhã, a transformação ocorre. A lagarta virou borboleta. A Fénix renasceu. FÓNIX. Mas o que é isto no meu lábio? Ah, que bicho tão fofinho que me deve ter mordido. É preciso injecção, doutora? Ora bolas. E comprimidos e isso? Pronto, pelo menos só serei Mulher-Elefante durante dois dias. E, como diz o Vasco, se me derem moeda, até toco o sino.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

No palco da minha tragédia grega…

… vou sair de cena, de fininho, sem dramatizar. Levar a vida a rir, amada e amante, compreensiva, objectiva, empenhada e, sobretudo, grata, até pela resina que se cola ao meu vestido quando ando por aí a abraçar árvores feita hippie. Porque raio nos esquecemos de viver a vida pelos motivos certos?

[Agora deixem-me só ir ali bater num koala, para descarregar adrenalina]

Segunda-feira, Junho 29, 2009

A vida tem sempre razão :)



Nota: esta cançoneta é do Vinicius de Moraes, hein! :)


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