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A transformação

Algo me dizia que a minha sorte estava a mudar - começando pelo facto de ter reservado um carro de gama baixa para ir até ao Porto, e chegar-me às mãos um Mégane novinho em folha. Oh diacho, disse o meu grilo falante, acostumado ao desconforto de meu Twingo, enquanto a minha pessoa se digladiava com aquilo que pode ser considerado um verdadeiro veículo de seis velocidades e cartão a servir de ignição (que isso das chaves é uma chatice, nomeadamente nos detectores de metais dos aeroportos).

O encontro imediato com o camião dos "Transportes Presunção" na A1 Norte confirmou que vivíamos tempos de mudança, por isso decidi mergulhar no desconhecido: ouvi a Rádio Festival [destaco a recuperação de ‘Chamava-se Nini’], estive vai-não-vai para espreitar a Danceteria “O Outro Lado” e comi uma francesinha ao pequeno-almoço.

Chegada ao Porto, sou instalada no quarto 1313, no piso – adivinhe-se! – 13. A vida sorria, o sol brilhava e os óculos de sol continuavam na óptica (primeiro foi a armação que partiu, depois o novo óculo extraviou-se nos correios, depois foi a lente que se partiu ao colocar nas novas armações e, finalmente, os óculos “novos” tinham uma lente verde e outra castanha). Mas os grandes amigos estavam lá e a música animava todo o meu ser. Tanto que, mesmo com 2 horas de sono, pedalei até à lua como o E.T. no Bike Tour Porto.

É isso, Ana. Tudo se está a resolver. Agora dorme o sono dos justos, que a tua alma está em paz, sussurrava a vozinha do canal myzen Tv.

E eis que, naquela linda manhã, a transformação ocorre. A lagarta virou borboleta. A Fénix renasceu. FÓNIX. Mas o que é isto no meu lábio? Ah, que bicho tão fofinho que me deve ter mordido. É preciso injecção, doutora? Ora bolas. E comprimidos e isso? Pronto, pelo menos só serei Mulher-Elefante durante dois dias. E, como diz o Vasco, se me derem moeda, até toco o sino.

No palco da minha tragédia grega…

… vou sair de cena, de fininho, sem dramatizar. Levar a vida a rir, amada e amante, compreensiva, objectiva, empenhada e, sobretudo, grata, até pela resina que se cola ao meu vestido quando ando por aí a abraçar árvores feita hippie. Porque raio nos esquecemos de viver a vida pelos motivos certos?

[Agora deixem-me só ir ali bater num koala, para descarregar adrenalina]

A vida tem sempre razão :)



Nota: esta cançoneta é do Vinicius de Moraes, hein! :)

Let's Get Out Of This Country!



Let's get out of this country
I admit I am bored of me! :)


FALTA UM MÊS PARA O CASAMENTO DA PRIMA!
(que por acaso é na Escócia, que por acaso é de onde são os Camera Obscura).

Conselhos de algibeira

Deixei o Rafa com um conselho para a vida: "Diverte-te muito e, quando estiveres com birra, dá um sorriso". O miúdo achou o recado divertido e disse que amanhã (em vocabulário infantil, significa “no futuro”) terei que brincar novamente com ele.
Os conselhos que deu de volta: a) imitar animais sempre que puder; b) brincar com paus no meio da rua; c) ter sempre chocolates por perto. O que, na linguagem dos adultos, se traduz por viver apaixonadamente e, se possível, lambuzado.

Nãããooo venhas tarde!

Era uma incontinente emocional que tinha fiado no Pingo Doce e vendia crédito no Banco dos Sentimentos.
Ass: a rainha do drama, também conhecida como “a das trombas de aço”.

[Só há uma coisa mais parva que a insónia. É a insónia ansiosa, quando se espera por alguém].

Fim de tarde 'tuguês

Bebi um refrescante capilé e provei um copinho de orchata no Príncipe Real, num dos 3 novos quiosques da Catarina Portas com coisas do antigamente. Meti-me num táxi mais o Dave e continuámos a temática castiça dessa noite, graças a um senhor taxista - nome de código, “O Trinta” - que falou ininterruptamente até chegarmos a Benfica. Entre dezenas de outras coisas despropositadas, “O Trinta” contou-nos que, lá na sua terra, o ajudante de médico dava pelo nome de “Seringas”, e que o seu pai, que iniciou carreira como motorista de autocarros na zona do Intendente, era conhecido como o “Rodas Altas” , por causa do tamanho dos pneus da sua viatura.

O porco e a paranóia

Estava bebericando o primeiro café da manhã quando um senhor muito apreciado naquele estabelecimento se chega ao balcão. A proprietária pergunta-lhe “então e o seu filho, tá bonzinho?”, ao que ele diz que sim, que está tudo bem, que o filho chegou da lua-de-mel no México e que está bem de saúde porque a gripe não chegou à zona do país onde ele estava.
Automaticamente, o meu subconsciente mandou-me encolher e sair de fininho do café, rezando para que ninguém me topasse, nem dissesse "'tás armada em porca”.

Ode aos amigos que vivem no Facebook e que só comunicam se lhes dermos o resultado dos testes “How Am I Going To Die?” ou “How Well do You Know Me?"

Ana Martins sente-se uma velha secundarizada pelas tecnologias, mas o Facebook causa-lhe claustrofobia.
Ana Martins tem saudades dos amigos na vida real.
Ana Martins porque a vida está lá fora.

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Pequenas vitórias do dia-a-dia

A carreira 746 tem agora um autocarro bem modernaço, a cheirar a novo, com altifalantes projectando a voz de uma senhora que anuncia todas as paragens vindouras nos altifalantes, qual GPS dos transportes públicos.
Mas há outra novidade ainda mais importante no 46, visto que é referente às cadeiras agrupadas em quatro (as mais detestadas pelos utentes, que tentam controlar os esgares de repúdio a cada esfreganço de joelhos com desconhecidos).
A grande inovação é que há um lugar mais alto do que todos os outros, bem por cima da roda do autocarro. É uma espécie de altar - um pequeno trono para o rei do autocarro - com vista privilegiada para a rua e para os restantes utentes da Carris. E assim começou este dia, comigo armada em senhora, no palanque do renovado 46.