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You, Kant, Always Get What You Want

"Brilliant lecture on the aggressive influence of German philosophy on rock and roll":


Viva o John Cameron Mitchell, o brilhante realizador e protagonista deste "Hedwig - A Origem do Amor". Um bocadinho menos escandaloso que o "Shortbus", mas igualmente interessante. Estes diálogos são poesia.

Olá, eu sou a Ana e sou Chocoholic

Agora, sim, podemos voltar a prestar culto à Nossa Senhora do Glacé. Obrigada, amiga Susy. Entre a Marhsmallow Pizza e a Hubba-Bubba de Melancia, esta foi a minha souvenir preferida.
For Life’s Boo Boos.

(Ao pesquisar imagens para ilustrar este post, descobri que ChocAid é também uma loja online de chocolate que ajuda no combate à fome na Etiópia, Nigéria e Bangladesh. O método persuasivo da minha mãe para uma boa alimentação – “há crianças a morrer à fome na Etiópia” – ganhou, finalmente, um sentido prático).

Sou um Sacrifício Humano…

…para o mosquito Josué, cuja estatura equivale à de uma criança de 4 anos, e que há três noites converteu o meu quarto na sua Insectolândia. Imagino-o em loops na montanha-russa Bracinho Quer uma Trinca, ou em arranques de Fórmula 1 no meu ouvido, mas montado numa Famel Zundapp.
Dei-lhe nome para ser mais fácil de insultar.

O Surrealismo

Passar a ponte de vidros abertos, com o boneco das bolachas Príncipe Estrela do tamanho de um menino de 8 anos a espreitar no banco de trás - os condutores do lado rindo-se de (e para) nós - podia ser o começo de uma sexta-feira como tantas outras. Seguiram-se balões, farturas, CD’s de música pimba, carrosséis, mantas polares bordadas com gigantescas imagens de cães, relógios de parede com retratos da Última Ceia, a banca das TeleRações (“levamos comida de cão a sua casa”) ao lado das sandes de leitão e ainda muito bailarico entre os fregueses do lar de Santa Marta de Corroios.
Um dia depois, a pandilha do costume decide travar amizade com um pato, em plena serra de Sintra, cenário onde também se teceram analogias puramente textuais entre fazer sexo e comer uma carcaça, à beira de uma lagoa resmengosa. Nessa mesma noite, prescindimos de um concerto de ska para formar, no bar do Coliseu, a devida claque a Portugal na dianteira da classificação no DançoVisão ou EuroDanção ou lá o que foi aquilo.
A terminar o fim-de-semana, e para atenuar os efeitos do concentrado de parvoíce, nada como um bocadinho de cultura-pelintra-porque-não-se-paga-entrada-nos-museus-aos-domingos-de-manhã, prestando a devida vénia ao Sr. Bosch, um surrealista muito à frente do seu tempo. Lá está, a analepse que, sem querer, serviu de mote a todo este surrealismo.

Quero!




À venda na Perpetual Kid, uma loja online que se parece com o habitáculo de Susy Paula. A propósito: bem-vinda de volta, amiga, tu que trazes um pedacinho do coração do mundo contigo. A estafeta internacional da amizade prossegue agora com o Zombie do Éter, que promete regressar, dentro de 3 semanas, como o novo magnata dos têxteis. Conto contigo para importares todas estas tolices para a tua própria loja dos chinocas, que à noite se transformará no maior casino de Mem Martins.

Joy to the Bus

Não basta poupar na gasolina, nas portagens e na emissão de gases para a atmosfera, como ainda me entretenho a caminho do trabalho. Bem dizia a amiga Ana que o autocarro é o melhor barómetro social – e as recorrentes histórias rocambolescas da amiga Lia não denunciam o contrário – mas foi preciso mudar-me para Benfica (decoraste, mestre?) para me render aos transportes públicos.
É com prazer que assisto, diariamente, aos desabafos das velhotas sobre o tempo ou, como foi o caso desta manhã, ao fértil desfilar das fantasias de um senhor de 62 anos que, no meio da sua triste história (desempregado, sem abrigo, dependente da Santa Casa para comer), levou um bocadinho longe a sua dissertação sobre a ausência de valores na sociedade: “Na escola, é uma rebaldaria. Os alunos têm relações sexuais nas casas-de-banho, fumam drogas… Até as professoras ficam contentes, embrulham-se com os alunos na casa-de-banho… ou então… mesmo ali… em cima da mesa… da sala de aula…”. E, pela primeira vez desde que entrou no autocarro, o velhote emudeceu, visivelmente perturbado pela fantasia que ele próprio acabara de criar, para deleite de meia centena de estranhos.
Ontem, o deleite galhofeiro foi outro. Uma mulher levantou-se do seu lugar e interpelou-me da seguinte maneira: “Pode tocar-me?”. De fones nos ouvidos, balbucio atrapalhadamente um “desculpe?”. A minha mente conspurcada só percebeu o obséquio quando a senhora insistiu mais duas vezes, indicando o varão do autocarro para que eu tocasse na campainha para ela sair.

Mysterious Skin



«Where normal people have a heart, Neil McCormick has a bottomless black hole. And if you don't watch out, you can fall in and get lost forever».

Soa a lugar-comum mas assenta que nem uma luva ao protagonista alienado deste “Mysterious Skin”. Sim, o miúdo do “3º Calhau a Contar do Sol” está feito um senhor-actor.

Obrigada, Senhor, por esta recordação

"Deus fuma charutos de Havana", cantam Serge Gainsbourg e Catherine Deneuve, como se entoassem um salmo responsorial na missa:

A melhor definição de exaustão, mas não a minha que estou fresquinha das férias

«Winston sentia-se gelatinoso de cansaço. Gelatinoso era a palavra exacta. Viera-lhe espontaneamente à cabeça. Dir-se-ia ter o corpo não apenas mole como gelatina, mas translúcido. Sentia que se levantasse a mão à altura dos olhos veria passar a luz através dela. Tinham-lhe sugado o sangue todo e a linfa naquela gigantesca orgia de trabalho, deixando apenas uma frágil estrutura de nervos, ossos e pele.»

Está no “1984”, do George Orwell – o melhor amigo desta semana, que me acompanhou madrugada fora, numa estóica luta contra dores de estômago (sou bem menininha, hein?). Lição da noite: esperar que o processo de digestão termine antes de gabar os meus cozinhados. Constatação da noite: a música vem-me à cabeça nas situações mais estranhas. Para os nós no estômago às 4h46 da manhã, convidei a Ella Fitzgerald para cantar “I’ll tie a lover’s knot around wonderful you”.

Boys of Melody

Até pode ser «gay church folk music», como descreve o vocalista Joel Gibb, mas que o preconceito não vos refreie a emoção deste cenário à beira do rio Sena.
São os canadianos Hidden Cameras que, depois de um concerto em Paris, saíram à rua para tocar o ‘Boys of Melody’. E o resultado foi este: dez músicos armados de guitarras, violinos, violoncelos, pandeiretas e xilofones, a actuarem ao longo do canal Saint Martin para uns quantos gatos-pingados. Mi-au!